Untitled Document
home quem somos motos usadas motos 0km financiamento produtos peças oficina / serviços consórcio localização
 
Dádivas Gastronômicas
 

Receitas que mesclam tradições culinárias africanas, portuguesas e indígenas, com denso tempero de alagoanidade.

As receitas alagoanas das irmãs Rochas são escravagistas. Não por trazerem o tempero das casas-grandes e senzalas. Mas por submeter e cativar, irrevogavelmente, o paladar de todos aqueles a quem é dado conhecer as delícias que preparam - e preservam neste livro.

O céu da boca se ilumina quando nele explodem, em pirotécnica festa sensorial, os sabores simples e requintados da melhor culinária alagoana. As receitas e suas estórias nos dão prazer e seduzem. Diria até que nelas está presente uma certa poesia, uma música, um ritmo mágico que a todos contagia.

Tapioca...,pitu
moqueca...,beiju.
Siri capado, pituzada,
maçunim, caruru.
Tapioquinha molhada,
de capote, o sururu!

Há disso tudo e muito mais para encher os olhos e a boca, de luz e água, com as iguarias que só as Rochas sabem melhor fazer.

Tão bom quanto sentar à mesa é vê-las no entrar-e-sair da cozinha, ou borboleteando entre netos e pratos,falando quase sempre de ... comida, é claro!

Eu, pobre mortal que de receitas sei somente alinhavar pobremente os guisados e frituras da política, ignorando os mistérios das panelas, dos tempos exatos, dos "pontos" místicos, apenas me deixo sucumbir, com alegria, ao pecado capital da gula.

No livro Delícias da Cozinha Alagoana - As Melhores Receitas das Irmãs Rocha não há pratos em seu sentido estrito. Existem legados à posteridade; são dádivas gastronômicas preservadas do nosso passado, com algum condimento do presente, mesclando as tradições de negros, índios e portugueses, com denso tempero de alagoanidade.

Há toda uma história embutida em cada um desses pratos. Um, deixado por uma tia do século XIX. Outro, que uma prima, amiga ou conhecida inventou, aperfeiçoou e ofereceu.

Aliás, oferecer, compartilhar, servir, sempre ao som do coro dos pratos e talheres e uma conversa ao fundo, é a tônica das " meninas do Varrela" . Bem-aventurados os que lhes freqüentam as casas.

Caso houvesse que escolher um altar para celebrar a culinária alagoana, teria que fazê-lo intinerante, como um andor de boa mesa que fosse de Maceió à Barra de São Miguel e daí ao engenho Lamarão lá nas beiras da lagoa Manguaba, onde Jacy, Maria, Bartyra, e Yeda, ao mesmo tempo concorrem e convergem para celebrar a ótima comida de cada dia.

Não há quem resista aos quitutes dessa cozinha alagoana, brasileira. Quitutes que relegam as comidinhas estrangeiras a um terceiro plano. Quando se olha a mesa farta, o bife de Balbina, o arroz de polvo, um pãozinho da Cyla ... meu Deus! Há tanta coisa para ver e provar que não se sabe nem por onde começar. Só posso dar o testemunho, falado,escrito e babado, de que em sua mesa tudo é partilhado com generosidade e amor. Talvez seja isso que torne tão especiais as receitas das Rochas.

A razão deste livro é a vontade de dividir.

Ao invés do segredo egoísta que se esconde em cada prato ou cozinheira, as páginas seguintes partilham, desvendam mistérios, descrevem veredas para chegar ao paraíso das receitas da nossa gente.

E chega de palavras. Mãos-à-obra e pratos à mesa, que as Rochas nos aguardam com este "arrumadinho" de receitas que socializa o bem-comer da terrinha alagoana.

Maceió, abril de 1997

JOSÉ THOMAZ NONÔ